8.7.09

Desnorte do PS

Qualquer semelhança entre o que aqui está escrito e aquelas patéticas e vergonhosas conclusões redigidas por um qualquer deputado socialista (recuso-me a colocar link) e que o PS alega advirem da "Comissão de Inquérito sobre a Situação que Levou à Nacionalização do BPN e sobre a Supervisão Bancária Inerente" é mera coincidência. Bastaria ver uma das audições para perceber o logro imbecil que é aquele escritinho.
O que não percebo é se a inteligência que não dá para mais, ou se é mesmo o branqueamento (salvo seja, que o tipo não é o Michael Jackson) do amiguinho Vítor Constâncio.

Também absurdo é este vai-que-não-vais-mas-vai do PS sobre a proibição de candidaturas simultâneas. Não me parece mal que o PS copie esta boa medida do PSD. O que não percebo é porque é que isto aconteceu só agora. E, como bem alega Alegre, porque é que não tem efeitos retroactivos às eleições europeias.
Por outro lado, também reconheço legitimidade aos que se opõem à medida, alegando que o "jogo vai a meio". Efectivamente, a direcção do PS não foi correcta com quem, por vezes em situações difíceis, aceitou o desafio para o combate autárquico, sem os esclarecer que não poderiam ser candidatos às Legislativas.

Mas tudo isto é elucidativo do desnorte absoluto que vai na cabeça dos socialistas.

PS - Curioso, também, é que à maioria dos comentadores, esta pareça uma má medida. Anda esta gente a exigir transparência aos políticos e quando os partidos, anormalmente, dão bons exemplos, vai de criticá-los. Mas será que alguém os percebe?

6.7.09

Coerência

Sobre isto, relembro, a título de exemplo, o que aqui defendi. Chega?

Nacho Vegas - Morir o Matar (El Manifiesto Desastre)

É dificil deixar de ouvir. Esta é do último álbum, El Manifiesto Desastre, lançado em Dezembro de 2008 e que contribuíu para colocar Nacho Vegas entre os bons cantores e escritores de canções a nível internacional. Esta é, indiscutivelmente, uma belissíma canção. Para comprar o disco por cá, só encomendando na net.

5.7.09

Nacho Vegas

(...) Adónde te crees que vas
Y de dónde crees que vienes?
Preguntaba el viejo al verme marchar
Muerto de hambre y sed
Si no tienes rumbo Chico, estás perdido
Yo le respondí voy hacia el sol
Y vengo del camino
No hay nada nuevo bajo el sol
No pretendas más que recordar (...)
Dime, si la novedad
No era más que un olvido
Dime qué más tengo que temer
El resto del camino (...)
Nacho Vegas

El Camino

Nacho Vegas. Muito bom.

4.7.09

Canções para Lenin

Vejam o pequeno documentário. Feito em 1934, é genial na sua forma e linguagem.

Contém ainda três canções para Lenine.

Calma

Era óptimo que o PSD não entoasse já a Marcha Triunfal. Até às “legislativas nacionais” muita água vai correr e a máquina de comunicação do PS é forte. Muito forte.

O pior é que me parece ver alguma euforia em certos sectores do partido a nível nacional.

Interessa sobretudo continuar a trabalhar.

Nota final: Quanto ao ministro Pinho, creio que, tal como dizia ontem um amigo meu, a sua saída é óptima para o país (peca por estar 3 anos atrasada) mas é péssima para o anedotário nacional. E agora, camaradas e amigos, vamos rir de quê?

A Marcha Triunfal de Verdi

Porque há quem diga melhor que eu, justificando o facto de Verdi estar cá associado, de alguma forma, a Mussolini, cá fica o texto de Il Messaggero, postado na caixa de comentários do post dedicado a Wagner:

"Na mesma óptica, a música de Verdi desempenhou um importante papel na reunificação italiana, algo que mais tarde desembocou no fascismo italiano (se bem que neste caso a relação seja bem mais ténue).

Agora é indesmentível que a produção musical de ambos os compositores, olhando ao contexto vivido no séc. XIX, era claramente nacionalista. Aliás, a relação é muito estudada por especialistas dessa época".

Obrigado, camarada.

3.7.09

Pinho queimado é que é bom!

Na minha modesta opinião, não é supreendente o gesto do Pinho. É, apenas, mais um acto idiota, de um ser que não deve nada à competência ou habilidade política, que se junta a tantos outros.
Surpreendente é que a comunicação social e a maioria dos analistas políticos tenham sido sugados por este "fait-diver" e não tenham "visto" o jeitão que o acto do Pinho deu ao primeiro-ministro e ao partido que suporta o governo. Dando ares de gente séria, com pose de estado, e (a)parecendo o paradigma da honestidade, honorabilidade e transparência, Sócrates "limpou" o governo de uma das suas principais nódoas. Isolou Pinho e deste modo actuou como se este fosse um episódio isolado, ilibando-se a si próprio do clima que criou e que leva a este tipo de comportamento, mas também o governo e o Partido Socialista.
O Pinho é um bode expiatório confesso. E Sócrates, que é "macaco", aproveitou para tentar limpar a imagem. Isso mesmo é claro pela rapidez com que tratou da demissão e da sua substituição (o país paralisaria se aguardássemos um ou dois dias?) e a calma com que falou aos jornalistas é disso denunciador.
Se havia alternativa? Se é uma boa notícia para Portugal? Claro que não havia e claro que é uma boa notícia para Portugal. Mas é também uma boa notícia para o PS que assim se vê livre das trapalhadas do Manuel Pinho que era, afinal, um risco permanente para a campanha e cujas fragilidades seriam aproveitadas pelas oposições.

E que jeito daria ainda que o Mário Lino fizesse aquilo com o dedo, ou Maria de Lurdes Rodrigues mostrasse a língua ou ainda que o ministro da Agricultura "manguitasse". Fazia-se a remodelação que Sócrates está desesperado para fazer, sem parecer que essa fosse a intenção. Actos isolados, gritariam os socialistas!

Por mim, estou contente. Como venho defendendo há algum tempo, o Pinho deveria ser queimado porque só assim é que ele poderia ser útil (em tempo de crise de combustíveis, teria dado cá um jeitão durante o inverno...). Portanto, por mim é um "vá, mas não volte".

PS - Estranho algumas reacções, especialmente de socialistas cá do burgo, que tentam minimizar e até desculpabilizar o acto do Manuel Pinho. Mas denuncia a coerência desta gente!

Taedonggang Beer

Documentário sobre a mais famosa cerveja da Coreia do Norte, emitido, realizado e produzido pela televisão estatal (e única) do país. "Isto" parece ter saído de uma linha de montagem de televisão dos anos 50, embora tenha sido feito muito recentemente.

Wanger - o favorito de Hitler

Não será correcto associar-se Wagner, um dos mais geniais compositores da História da humanidade, a qualquer coisa relacionada com o fascismo, ou com o nacional socialismo alemão. Mas a verdade é que, infelizmente para a memória daquele que foi o expoente máximo do romantismo, diz-se que Hitler se inspirava ao som de Wagner e das suas áreas grandiosas, incluídas em óperas baseadas na tradição e na mitologia germânica, de que esta "Cavalgada das Valquírias" é um exemplo clássico.

2.7.09

O que é a Cidade Educadora?

Video que ilustra o que é a Cidade Educadora.

Vale a pena!

29.6.09

Jantar de bloggers madeirenses

O puto está a organizar outro jantar de bloggers madeirenses. Eu já confirmei a minha presença. Continuam-se a aguardar inscrições!

28.6.09

Pecador me confesso

Não sendo um grande fã de Michael Jackson, pertenço à geração que cresceu a ouvi-lo. E há algumas coisas que efectivamente gosto. Ficam aqui as minhas três músicas (e vídeos) preferidas.



http://www.youtube.com/watch?v=hOj5H5W9zYo




Gosto de versões originais, mas a permissão foi retirada do youtube.

27.6.09

Óbvio que Sócrates mentiu. A questão é saber porquê

Depois da tomada de posição do Governo, ontem, relativamente ao possível negócio entre a PT e a Prisa e do que publicou hoje o Expresso (que os governos de Espanha e de Portugal estavam informados das negociações já desde Janeiro), a verdadeira questão não é saber se Sócrates mentiu. É óbvio, que sim. A verdadeira questão é saber porquê. Antes de mais, que interesse tinha Sócrates que o negócio se concretizasse? E depois, porque é que sentiu necessidade de mentir?

Tudo isto é muito grave e parece-me que está a ser tratado com demasiado ligeireza pelos partidos e órgãos de comunicação social. Noutros tempos, seria motivo para a demissão de um governo. Aliás, por menos, por muito menos, Sampaio mandou o Santana passear...!

Quanta aldrabice em apenas um dia!

Em apenas um dia descobrimos:
- que o gestor do PRODER nomeado pelo governo socialista é arguido num caso de vigarice (Freeport);
- que o primeiro-ministro ou é mentiroso ou é irrelevante porque das duas, uma: se ele sabia (e eu inclino-me mais para esta versão), mentiu quando afirmou não conhecer o negócio que a PT pretendia fazer ao comprar parte da Prisa. Se não sabia, é porque os administradores da PT estão-se marimbando para o senhor, o que é igualmente grave;
- que um outro ex-colaborador de Sócrates também é arguido pelo mesmo caso de vigarice;
- que o ministro da Agricultura é mentiroso (o tipo mentiu com todos os dentes que tem quando afirmou, cheio de salamaleques, que ainda iria reunir com o gestor do PRODER, quando na verdade já tinha aceite a demissão);
- que o Estado financiou uma fundação privada, que ninguém sabe para que serve nem como é gerida, em 400.000€ (e isto apenas num ano);
- que o ministro da Administração Interna, para além de cometer "lapsus linguae", também tem lapsos de memória (já sabíamos que tinha lapsos cerebrais), quando afirma que não sabia que a bendita fundação afinal tinha sede num edifício cuja gestão é feita pelo ministério que tutela.

Convenhamos que é muita aldrabice para um dia apenas. Agradeça ao seu governo!
A sorte é que ao denunciar todos estes casos, os portugueses vão vendo a que tipo de gente entregou o seu governo. E pode ser que lá para Setembro grite: SOCIALISTAS: JAMAIS!

O que é a Cidade Educadora?

Como não consigo fazer o upload do vídeo, entre e veja o filme.

26.6.09

Também eu já sou diferente, ou como se pode mudar permanecendo

Quem me conhece sabe que não grande apreciador do Desconstrutivismo, de Levinas, Derrida e companhia. Saberão, igualmente, que aprecio ainda menos os seus representantes portugueses - e muito especialmente uma certa "adoradora da diferença". Não sou, contudo, autista e reconheço a legitimidade da luta da "linguagem da diferença", que pretende a inauguração de uma nova atitude ética, que coloca o outro como centro da prática ética (do grego ethos, como "morada" do homem, porquanto é aquilo que verdadeiramente o define).
Ao assistir a uma interessante conferência de Janela Afonso, que decorreu hoje em Esposende, no Encontro Nacional da Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras, dei comigo a pensar em como esta nova atitude pode concorrer para um modelo mais ético e mais eficaz da globalização.
Como?
Dizem os críticos da globalização que esta é uma invenção do "mercado" com vista à sua amplificação. E a verdade é que o paradigma actual dominante não contribui para a qualidade de vida dos cidadãos, sendo antes um elemento hegemónico que desenraíza e aliena uma consciência ética colectiva (que promova e defenda os valores locais). Este é o mundo que nos foi legado pela pós-modernidade, onde a diferença é sempre estabelecida pelo poder (num mundo de "brancos", os "pretos" são diferentes; num mundo de homens, as mulheres são diferentes, etc.) Ou seja, a diferença é definida pela Identidade do Poder e é este que classifica a alteridade como difente. A diferença aparece não por si, mas como legado da identidade.
A proposta alternativa é a emergência de modelos de globalizações situados e sustentados localmente. E aqui entra um novo paradigma da diferença que, curiosamente e de forma aparentemente antagónica e/ou paradoxal, contribui para fixar a identidade. Num mundo global (que é e que se deseja), combate-se a hegemonia afirmando-nos pela diferença. Ora, não apenas "Je suis un autre", como de forma feliz enunciou Rimbaud, mas eu mesmo quero afirmar-me como outro. Eu quero ser diferente e quero que a minha identidade seja definida por essa diferença, relativamente à hegemonia estabelecida pelo paradigma de globalização que vigora.
Ora, passe a surpresa que possa causar esta minha aparente alteração de horizonte, a verdade é que me parece que a "utopia" do progresso - visto como aumento da qualidade de vida para todos os habitantes deste planeta global -, a criação de "projectos emancipatórios colectivos" - conforme bem defendeu Almerindo Janela Afonso -, apenas é possível através desta nova atitude que resiste à globalização hegemónica. A diferença somos nós e afirmamo-nos por ela. E assim contribuiremos localmente, para um mundo global mais "humano", instaurando então, talvez, a "mundialização" dos valores, porque sustentado na diferença.

Canções Fascistas

Cara al Sol, hino da Falange, foi escrito em 1935 e, reza a lenda, é da autoria de José António Primo de Rivera, histórico líder do grupo. Foi, durante a guerra civil e, posteriormente, durante o franquismo, um dos hinos do regime fascista espanhol.

Eis a letra:

Cara al sol con la camisa nueva,
que tu bordaste en rojo ayer,
me hallará la muerte si me lleva
y no te vuelvo a ver.


Formaré junto a mis compañeros
que hacen guardia sobre los luceros,
impasible el ademán,
y están presentes en nuestro afán.


Si te dicen que caí,
me fui al puesto que tengo allí.


Volverán banderas victoriosas
al paso alegre de la paz
y traerán prendidas cinco rosas
las flechas de mi haz.


Volverá a reír la primavera,
que por cielo, tierra y mar se espera.


¡Arriba, escuadras, a vencer,
que en España empieza a amanecer!


¡España una!
¡España grande!
¡España libre!
¡Arriba España!

Canções Revolucionárias

En La Plaza de mi Pueblo fez parte da intensa campanha de propaganda feita pelo Partido Comunista Espanhol durante a Guerra Civil.

A letra:

En la plaza de mi pueblo
dijo el jornalero al amo
nuestros hijos nacerán
con el puño levantado.

Y esta tierra que no es mía
esta tierra que es del amo
la riego con mi sudor
la trabajo con mis manos.

Pero dime compañero
si estas tierras son del amo
porque nunca le hemos visto
trabajando en el arado.

Con mi arado abro los hurtos
con mi arado escribo yo
patina sobre la tierra
de miseria y de sudor.

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"

25.6.09

Está tão mal explicado…

Sócrates e Santos Silva em 2004: o estado não deve, através da PT, exercer controle sobre órgãos de comunicação social privados.

Sócrates e Santos Silva em 2009: dizem não saber de um negócio (parece-me impossível não o saberem, já que o estado nomeia dois administradores da PT e esses estavam de certeza informados, tendo de reportar a Mário Lino. A questão é estratégica, não é de somenos importância!) que fará com que o estado controle os dois canais de televisão públicos e, parcialmente, um terceiro, que é (era) privado.

Economicamente, o negócio é ridículo para a PT (pagar 155 milhões por algo que vale 84 milhões é extraordinário). De facto, a “coisa” está mal explicada.

Cavaco esteve bem, tal como (toda) a oposição.

A “campanha negra”, da qual, segundo Sócrates, a TVI era uma espécie de porta-bandeira, estará para terminar?

Canções Fascistas

Giovinezza foi o hino do Partido Nacional Fascista, de Mussolini, tendo sido aceite também como hino italiano não oficial entre 1924 e 1943.

A canção foi composta por Giuseppe Blanc, em 1909.

Canções revolucionárias

Bella Ciao. Cantada pelos "partizani" italianos que combatiam os fascistas de Mussolini. De autor incerto, tornou-se uma das canções italianas mais populares, tendo sido interpretada em mais de uma dezena de línguas, por diversos grupos e cantores.

Eis a letra:

Una mattina mi son svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi son svegliato,
e ho trovato l'invasor.
O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.
E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.
E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l'ombra di un bel fior.
E le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E le genti che passeranno,
Mi diranno: Che bel fior!
È questo il fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
È questo il fiore del partigiano,
morto per la libertà!

Beirut - Elephant Gun

Beirut. Uma das minhas bandas favoritas do momento.

23.6.09

Gogol Bordello - Supertheory of Supereverything

Uma grande banda.

20.6.09

Mulher tornada Deus

Hoje celebra-se, liturgicamente, o Imaculado Coração da Virgem Maria. Esta celebração proclama que Maria, Mãe de Jesus, não apenas foi "concebida sem pecado" (no dia 8 de Dezembro celebra-se a Imaculada Conceição), como manteve, ao longo de toda a sua vida, o coração puro.
Ora, ao contrário de algumas correntes inconsistentes que defendem a misoginia da Fé Cristã, estas duas celebrações mostram exactamente o contrário: que nenhum humano, sujeito às tentações terrenas, resistiu tão bem ao pecado. É a deificação da mulher Maria, o que não acontece com nenhum homem, pois mesmo Cristo é Deus que se fez Homem, enquanto Maria é Mulher que se fez Deus, pelas suas qualidades. Deu, pois, o passo mais ousado, aquele que mais nenhum teve capacidade para dar.
Parece-me, portanto, errado que se atribua ao Cristianismo defeitos que ele não tem. E por isto, parece-me que hoje seria um bom dia para argumentar contra esse preconceito, que identifica a Fé Cristã com conceitos misóginos.

19.6.09

You picked me!

Mais uma bela descoberta.
É verdade que ando um bocado para o pop. Mas que querem, é da idade!

Doca do Cavacas






A propósito da nostalgia provocada pelas palavras da WOAB, dei comigo a escrever este texto. Ainda estive para não o publicar, mas já que tinha sido escrito aqui no blog...

O dia está quente. Quatro horas da tarde, num qualquer dia de Agosto, com um vento de leste, nunca é hora agradável para se estar ao sol na Madeira. Ainda que se esteja junto ao mar, ainda que mergulhemos de 15 em 15 minutos!
Os corpos, que ainda não abandonaram definitivamente a forma infantil, resistem dificilmente e deles brotam generosas gotas de suor. Corpos exauridos, é certo, mas jovens e tonificados, derretem e a brisa marítima é parca compensação para a tepidez do ar que sufoca. A água, apenas a água salgada do Atlântico pode abrandar a canícula ardente.
Claro que nas piscinas não é possível estar muito tempo sossegado. Frequentemente aparece aquele bando que, em grande berraria, aproveita para se atirar de qualquer penhasco. À primeira vista, parece que apenas querem importunar os veraneantes mais incautos: ora cobrindo-os com a chuva miudinha, de água salgada, que os seus saltos provocam, ora afastando-os das piscinas, como se fossem a guarda pretoriana de um qualquer imperador invisível. São jovens; têm sonhos; querem viver desalmadamente. Perante a explosão de cores do ambiente que os envolve, o maniqueísmo domina o seu mundo: há “nós” e há os “outros”. Aquele promontório, composto por rochas e piscinas, algumas naturais, outras nem por isso; aquela espécie de lido, é o seu domínio e estão dispostos a tudo para o defender. Pelo menos assim parece a um olhar menos atento.
A verdade, é que a sofreguidão com que se atiram para a água mostra que não são os “outros” que incomodam, não é contra os “outros” que mergulham. Não querem este reino apenas para si. É certo que se reconhecem súbditos do Majestoso Penhasco e do Mar Imenso. É verdade que se revêem como a legião de elite daquele local. Mas os mergulhos, a ansiedade com que se atiram para a água revelam uma realidade mais egoísta. Seguem em bando, mas o prazer é individual. Estão integrados, têm um, dois, três grupos, mas na hora de mergulhar, a água proporciona um deleite pessoal. São fugas para a água, para pequenos momentos íntimos de liberdade.
O mar aparenta ser o melhor amigo. Entram nele como quem mergulha no ventre materno. Com alegria, com sofreguidão. E como adoram mergulhar! Nenhum local é demasiado alto, nenhuma rocha é demasiado afastada da água. Saltam de qualquer ponto. Como se nada mais existisse. Parecem aves, quando, empoleirados sobre as rochas, levantam os braços e saltam para a frente, em ligeiros mas consistentes movimentos dorsais que lhes permite mergulhar de cabeça. Pernas esticadas, braços abertos, que se inclinam apenas na hora de abraçar os domínios de Neptuno.
O universo é deles e é bonito: o azul-esverdeado das piscinas, que contrasta com o azulão imenso do mar. Deixam-se beijar pela água, ora num, ora noutro mundo que é, no fundo, apenas um. E não fazem distinções, no que ao prazer toca. Tanto lhes serve!

Há, também, os outros dias. Quando todos os restantes veraneantes fogem da levadia que inunda as piscinas, eles correm ao seu encontro. As ondas estão fortes? Ameaçam levar todos aqueles que ousam entrar na água? O branco da espuma impõe-se sobre o azul do mar? A rebentação contra as rochas ameaça os frágeis corpos? Existe a certeza de que alguns litros de água salgada serão engolidos? Óptimo, pois garantem o prazer de não se atemorizar. E, paradoxalmente, como um bando de loucos, tanto mais riem quanto maior o perigo. Deles e dos outros.
Mas ali, naquele tempo, não há quem os ouse desafiar. Ninguém se intromete no meio. Alguns adultos ainda vociferam contra a inconsciência destes jovens. Ao longe, protegidos pela segurança. Mas que ninguém ouse pensar em ajudar algum deles, que pareça mais aflito. No meio daquelas ondas, apenas eles são capazes de se ajudarem mutuamente. “Nem pense nisso”, alertam os que os conhecem, se algum herói ousado pretender mergulhar ao seu lado. “É garantido que eles terão de o ajudar e para problemas, já lhes bastam as ondas com que ainda terão de se bater”.

Era assim as Poças do Gomes, há uns anos. Os únicos avisos viravam-se na direcção dos “outros”, daqueles que não passavam ali o Verão e o Inverno.
O tempo entretanto passou: os corpos envelheceram, ganharam peso, perderam a cor. Mas continuo convencido de que nas tardes de levadia, apenas o velho bando é capaz de se manter à tona. Mantém-se a garantia de que aquela guarda pretoriana será a única a ousar desafiar o mar, naquele que se mantém como o seu mundo. Apenas estas coortes continuam a ser merecedoras da confiança do Imperador e resistem à sua fúria!
Por isso atenção, meninos e meninas de calções alaranjados. É certo que são os vossos corpos que estão tonificados. Talvez a vossa forma física vos garanta alguma segurança, nas provas a que são submetidos. Conseguem nadar mais longe; sustêm mais tempo a respiração. Mas ali, naqueles redemoinhos, quem manda ainda somos “nós”. E já estamos velhos para nos batermos contra as ondas, em defesa dos vossos belos corpos!

É sempre com este misto de nostalgia do passado e o confronto com a realidade que volto à Doca do Cavacas. Porque pertenço a esse velho bando de pássaros…

Um anjo, este novo-velho Sócrates: só apetece dar beijinhos...

Povo mau, que não percebe a bondade das políticas do líder...
Mau, mau, mau!

O ar compungido, a auréola a flutuar e dir-se-ia um santo!

Agora a sério: depois daquela patética entrevista (ó Fernanda, canse-o!), será que ele ainda espera ser levado a sério por alguém?

Conversa entre amigos

- É pá, o gajo até é porreiro. É pena ser um socialistazinho...
- Tu também...! Ser socialista não é defeito.
- Olha que nos tempos que correm, acho que poucos serão os defeitos piores...

15.6.09

Sobre o regime da autonomia das escolas

Com o pomposo título de Regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré -escolar e dos ensinos básico e secundário, saiu, em 22 de Abril de 2008, o Decreto-Lei 75/2008. Este documento alterava o paradigma da gestão das escolas, substituindo os órgãos de gestão pela figura do Director e a Assembleia de Escola pelos Conselhos Gerais, que passam a ser órgãos máximos da escola, cabendo mesmo a eleição do Director (os anteriores órgãos de gestão eram eleitos pelos seus pares). Sinceramente, acho que este documento enferma mais de defeitos do que de qualidades. Antes de mais, porque não promove nem mais autonomia, nem mais descentralização de competências para as escolas (não mais, pelo menos, do que a perspectivada pelo Decreto-Lei 115-A), conforme se anuncia. Depois, porque esta legislação também não faz emergir lideranças mais fortes. Mas mais: é um processo pouco democrático, permeável aos caciques partidários locais, que possibilita uma verdadeira partidarização das escolas. Vá lá que o Ministério da Educação ainda fez prevalecer a obrigação dos Directores terem de ser professores, porque não era isso que o Ministério de Teixeira dos Santos (e o próprio) defendia. De acordo com o Ministério das Finanças, os directores deveriam ser gestores (como se as escolas fossem meras empresas)…
Existem, contudo, algumas potencialidades interessantes. A primeira é possibilitar a independência dos directores relativamente ao corpo docente das escolas/agrupamentos. Sabemos que a classe é corporativa e que os órgãos de gestão, muitas vezes concordando com algumas alterações, não estavam disponíveis para ousar enfrentar a ira dos pares, quando confrontados com sugestões de mudanças. Uma vez que a sua nomeação deixa de estar dependente do corpo docente (retirando, em contrapartida, alguma democraticidade ao processo), liberta o director para a tomada de decisões que possam ir contra os interesses mesquinhos corporativos que, por vezes, minam as escolas (não queiram os lacaios socialistas verem aqui a defesa deste miserável Ministério da Educação. Porque no geral, reconheço razões de queixa aos professores e acho que este Ministério age não só de má-fé, mas é essencialmente gerido com muita incompetência). Mas, como que a querer exemplificar o que acabo de dizer entre parêntesis, aquela que poderia ser a maior potencialidade é logo limitada pela própria legislação, uma vez que impossibilita que o Presidente do Conselho Geral possa ser um elemento externo às escolas. Explico melhor. Fazem parte do Conselho Geral: representantes dos docentes, representantes de não docentes, representantes de alunos; representantes das autarquias, representantes de pais e encarregados de educação e entidades que podem ser cooptadas (máximo de 4). Como disse anteriormente, é o órgão máximo da escola, cabendo-lhe todas as grandes responsabilidades estratégicas (definição do orçamento, Plano de Actividades, Projecto Educativo, Regulamento Interno), de supervisão e fiscalização (capacidade para demitir o Director, etc.). Pressupõe, naturalmente, que presidente deste órgão tenha disponibilidade de tempo para geri-lo convenientemente. Ora, a exemplo dos liceus e universidades norte-americanas, seria interessante que os presidentes não fossem professores, mas figuras de destaque da sociedade (com mérito reconhecido no campo artístico, cultural, científico, etc.), ou possuidores de competências de liderança e gestão de órgãos colegiais, ou ainda personalidades capazes de atrair prestígio ou (porque não?) financiamentos para as escolas/agrupamentos. Isto, naturalmente, pressupõe legislação que permitisse a redução de horários a quem exercesse este cargo (a exemplo do que acontece, por exemplo, com as organizações de classe). O Estado deveria prever que, caso uma destas personalidades quisesse exercer o cargo, fossem aliviados da sua carga horária laboral, uma vez que o tempo é gasto em prol da comunidade (há redução de horário para professores que queiram exercer o cargo). Isto parece-me, inclusive, uma questão de bom-senso. Mas a atrapalhação e a incompetência deste Ministério é tão grande que nem aquelas que são as boas ideias sabem rentabilizar.

12.6.09

Esclarecimento

Respondendo a algumas questões: as canções revolucionárias (e agora também fascistas) aqui postadas não correspondem, como me parece óbvio, a uma escolha política. São apenas resultado de um levantamento que vou fazendo quando mais nada de útil me prende a este admirável mundo. São, se quiserem, uma proposta estética. Esclarecedor?

Post-Scriptum: será que as mesmas perguntam foram feitas a esse "perigoso comunista" de nome Pacheco Pereira, biógrafo de Cunhal e mentor de um blog sobre a História do Comunismo?

Canções Fascistas I

Canção emitida pela primeira vez na Emissora Nacional (EN) um em 1961, ano do embarque das tropas para Angola. Esta versão é cantada pelo Coro da FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho), acrual INATEL

11.6.09

O que eles, fazem por elas

Elas queixam-se deles.
Eles, delas, mas creio que existem pormenores que marcam a diferença.

É o caso deste. Tenho um amigo que, imaginem - decidiu adoptar um gatinho.
Acho que existem poucos homens com uma atitude tão carinhosa. Eu, confesso, não tenho feitio para adoptar um gatinho. Ele ligou para onde oferecem os gatos, e, no mesmo dia, foi vê-los.

Há anos, conheci uma outra pessoa, cuja paixão eram “gatas”.
O desejo era de tal forma, intenso, que se matriculou na Cambridge para aprender inglês. Queria através da língua de Shakespeare, chegar mais perto de uma gatinha.

Ela estava de passagem por Lisboa. Era dançarina numa casa nocturna. Não me lembro o nome da casa, mas recordo-me do local. Ficava a meio da Avenida da Liberdade. Mais precisamente, na Praça da Alegria. Passei por lá, numa noite. Na verdade, foram 5 casas que visitei, na companhia desse meu amigo. Na verdade, só agora descobri que ele me convidou para ver a tal gata.

Considero os dois gestos: – o de adoptar um gato e o de aprender inglês para comunicar com uma gata altruístas. Diria, de verdadeiros cavalheiros. Talvez como já não existem, e se existiram, de certeza que são personagens de livros.

Não é fácil juntá-los nesta crónica. Estão separados pelo tempo. São 10 anos de diferença. O amigo que quer adoptar um gato, ainda não o fez e quem queria “comer” a gata inglesa, nunca cheguei a saber se a felina simpatizou com o macho.

Oxalá o gato, nunca descubra a verdade.
Imagino que a médica veterinária esteja vacinada.

10.6.09

Mack The Knife (original)

Original de 'Die Moritat von Mackie Messer', cantado por Bertolt Brecht em pessoa (e garganta).

Ou onde se prova que o bom do Bertold fez muito bem em dedicar-se às letras. Como cantor não se safaria com toda a certeza!

Muller outra vez

Gosto da dramaturgia e da literatura alemã da segunda metade do século XX. Da carga política dos textos de Günter Wallraff e Peter Weiss. Do intimismo de Peter Handke – A angústia do guarda-redes antes do penálti foi um dos meus livros de juventude – do burlesco dos textos teatrais e da poesia de um dos mais profícuos herdeiros de Brecht, Heiner Müller.

Em 2008 descobri, através de uma peça que trouxe ao Funchal Beatriz Batarda (De Homem para Homem), Manfred Karge (por falar nisso, ainda espero, ó camarada Bernardo, a cópia da tradução que me is arranjar).

Gostava de conseguir ler em alemão. E falar alemão, uma língua que a maioria de nós, latinos, não acha minimamente atractiva.

Tudo isto para justificar a postagem de mais um poema de Heiner Muller.

Ei-lo:

O pai

1

Um pai morto talvez tivesse

sido um pai melhor. Melhor ainda

é um pai nado-morto.

Volta sempre a crescer erva sobre a fronteira

tem de ser arrancada a erva

sempre sempre a erva que cresce sobre a fronteira.

2

Gostava que o meu pai tivesse sido um tubarão

e despedaçado quarenta pescadores de baleias

(e eu aprendido a nadar no seu sangue)

a minha mãe uma baleia azul de nome Lautréamont

Falecido em Paris

Incógnito em 1871

9.6.09

Canções revolucionárias II

Si Me Quieres Escribir. Esta é a versão dos The Weavers de uma das melhores canções da guerra civil espanhola. Cantada pelo exercito republicano. Cá está a letra:

Si me quieres escribir, ya sabes mi paradero,
Si me quieres escribir, ya sabes mi paradero,
En el frente de Gandesa primera linea de fuego.
En el frente de Gandesa primera linea de fuego.
Si tu quieres comer bien, barato y de buena forma.
En el frente de Gandesa, alli tienen una fonda
En la entrada de la fonda, Hay un moro Mojama
Que te dice, "Pasa, pasa que quieres pata comer."
El primer plato que dan, son grenadas rompedoras
El segundo de matralla para recordar memorias


Canções revolucionárias I

El Quinto Regimiento. Original cantado pelos republicanos durante a Guerra Civil Espanhola. Em honra do V Regimento das Milícias Populares, corpo de elite das tropas republicanas criado pelo Partido Comunista Comunista de Espanha e pelas Juventudes Socialistas Unificadas.

Esta é uma versão da Banda Bassoti

Patti Smith - Horses

Já não ouvia há anos... xiça, tinha saudades...

tom zé fala sobre rita lee

Absolutamente genial

Cidadezinha Qualquer, Drummond, Tom Zé

Poema de Carlos Drumond de Andrade

8.6.09

O que mudou na noite de ontem? A percepção dos eleitores. Agora, sabem que é possível o PS perder. E entendem que é possível Manuela ganhar. O mito da invencibilidade de Sócrates transformou-se em pó.

Madrugada

Levantei-me de madrugada. A minha gata brincava com uma borboleta. Lembrei-me de um poema de Adília Lopes: Os meus gatos brincam com as minhas baratas. Só isto.

Eleições ao pequeno almoço

Na Madeira, mais uma vez, AJJ ganhou. Impôs um candidato e provou que por enquanto é maior do que o próprio partido. Vai preparar, calmamente, a não-sucessão.

Na Madeira, mais uma vez, o PS perdeu. Obteve uma votação mediocre e JCG não percebeu nada. O PS é uma caricatura de um partido. Vai arrastar-se assim até às autarquicas. Já conheço os passos dessa estrada, sei que não vai dar em nada, cantavam Jobim e Vinicius. Mas JCG não tem tempo para ouvir música. Vai preparar, calmamente, o próximo descalabro.

Na Madeira, o CDS aproximou-se, em termos de votação, do PS. José Manuel Rodrigues decidiu jogar uma cartada forte e candidatar-se à AR, liderando a lista popular. Poderá ser um momento de afirmação, mas poderá ser o fim político do Zé Manel. No CDS prepara-se, calmamente, a próxima conferência de imprensa.

Na Madeira, a CDU continua a crescer devagar. Ontem, Edgar Silva congratulou-se com o facto de ter ultrapassado o PS em várias mesas. Agora vai preparar, calmamente, a próxima reevindicação em Santo António.

Na Madeira, o Bloco continua longe do fulgor da UDP. Não ata nem desata e agora prepara, calmamente, o próximo post num blog qualquer.

Na Madeira tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado. Eu preparo-me, calmamente, para tomar o pequeno almoço.